3 de janeiro de 2016

Aurora

No mundo frio que habita, sente confusão no calor que sente. De alguma forma busca a paz interior no conflito das emoções. O mundo não abranda, e ele só agora começou a avançar. Parando.
Não deixa de ser apenas o sentir, aquilo que o impele a mudar de vida. A mudar o seu coração.
Ainda está perdido. Ele sabe-o. Mas a cada instante que passa, encontra mais um pouco daquilo que faz bem à alma. Que aconchega o coração. E isso deixa-o, se não feliz, com um sorriso largo estampado no corpo.
Liberta-se da noite como a geada derrete com os raios da manhã. De forma progressiva, encharcando tudo à sua volta. É assim que a vida em si cresce. Aos poucos, mas finalmente sem barragens que contenham a abundância do que sente. Encharca-se no calor que sente e encharca o mundo frio que habita.
O mundo não abranda, e não acorda. Mas para ele, a Aurora de um novo dia traz a esperança de que tudo faça sentido.

2 de janeiro de 2016

Madrugada

É madrugada.
Caminhando na dúvida do que se passou, segue os passos que foram dados antes do seu tempo.
Não tem certeza do caminho a seguir, mas apenas sabe no seu íntimo do seu próprio ser que tem de seguir viagem. Sem pressas.
E a cada passo que dá, medita em tudo o que vê. E percebe. O segredo para a sua vida está nas pequenas coisas. Nas suas pequenas coisas. Coisas que escapam às vidas aceleradas e angustiantes de gentes a quem o mundo é apenas mais, mais, mais.
E pára. Olha à volta e no escuro da madrugada começa a ver com outros olhos as cores que dali emergem. Cores que não passam de diferentes tons a libertarem-se das amarras da noite, com a força de quem sabe como colorir o mundo. Observa as amarras a serem puxadas, cada vez mais esticadas. Sente-se a tensão no ar, até que aos poucos elas quebram. E são cores ainda utópicas, visíveis apenas no sentir dele. Imaginação e sonho misturados mas que dão sentido e forma a tudo.
E então recomeça a andar.

1 de janeiro de 2016

Despertar

O dia começa devagar.
Ele desperta como que dum sonho de outras vidas. Não se lembra do que sonhou, mas agora que os primeiros raios de Sol lhe beijam a pele, sente a necessidade de se agarrar à imaginação. E cada vez mais a lembrança do sonho vai-se desvanecendo, tal como a névoa nocturna se dissipa com o calor da manhã.
Eis um novo dia, igual a tantos outros, mas no qual se sente um novo começo.
Cheio de medo, mas também de vontade, daquela que faz o mundo mover, ergue os braços à vida e põe o seu coração a sorrir. Não tem certezas, tem apenas esperanças.
Decide-se...
Deixa então a comodidade do conformismo e embrenha-se no futuro incerto, transformado em presente concreto.
E neste dia, começa o aconchego da sua vida.